O meu trabalho clínico integra diferentes abordagens terapêuticas baseadas em evidência, que permitem compreender a experiência humana a partir de perspetivas complementares, com foco na regulação emocional, na relação consigo próprio e na possibilidade de integração e mudança.
Internal Family Systems (IFS)
A Terapia dos Sistemas Familiares Internos (IFS) é uma abordagem baseada em evidência que compreende a mente como composta por diferentes “partes” internas.
Estas partes representam formas de pensar, sentir e reagir que se desenvolveram ao longo da vida, especialmente em resposta a experiências difíceis ou emocionalmente significativas.
Algumas partes têm funções protetoras (por exemplo, evitar dor, controlar situações ou antecipar perigos), enquanto outras podem carregar emoções mais vulneráveis, como medo, tristeza ou vergonha.
O objetivo do trabalho terapêutico não é eliminar estas partes, mas sim promover uma relação interna mais consciente e segura, permitindo que a pessoa desenvolva maior clareza, equilíbrio interno e capacidade de autorregulação.
Esta abordagem, desenvolvida por Richard C. Schwartz, é não patologizante e assenta numa relação terapêutica baseada em curiosidade, compaixão e colaboração.
Teoria Polivagal
A Teoria Polivagal, desenvolvida por Stephen Porges, foca-se no papel do sistema nervoso autónomo na forma como experienciamos segurança, ameaça e ligação.
Explica como diferentes estados fisiológicos influenciam a forma como nos sentimos e nos relacionamos — desde estados de segurança e conexão até estados de ativação (luta/fuga) ou de colapso/desligamento.
A intervenção baseia-se no desenvolvimento de maior consciência destes estados e na promoção de estratégias de regulação, como respiração, atenção corporal e orientação para sinais de segurança.
O objetivo é facilitar maior flexibilidade do sistema nervoso, promovendo resiliência e acesso mais consistente a estados de segurança e conexão.
IFIO – Intimacy From the Inside Out (Terapia de Casal)
A IFIO é uma abordagem terapêutica de casal baseada no modelo IFS e na Teoria do Apego.
Explora como as experiências precoces e os padrões internos de cada pessoa influenciam a forma como se relaciona, especialmente em situações de conflito, distância emocional ou reatividade.
Em vez de focar apenas na dinâmica do casal, o trabalho centra-se na compreensão dos processos internos de cada parceiro — as suas partes protetoras e vulneráveis — e na forma como estas influenciam a relação.
Este processo permite reduzir ciclos de culpa e reatividade, promovendo maior responsabilidade emocional individual e abrindo espaço para uma ligação mais segura, consciente e íntima no relacionamento.
Nota final
Estas abordagens não são aplicadas de forma rígida, mas integradas de forma ajustada à história, necessidades e ritmo de cada pessoa ou casal.