Fala-se muito de crescimento profissional, objetivos e sucesso. Mas, com frequência, o desenvolvimento pessoal fica para segundo plano.
E, no entanto, é aí que tudo começa.
Crescer enquanto pessoa — nas várias dimensões da vida, seja como parceiro, pai ou mãe, filho, profissional ou amigo — implica prestar atenção ao que se passa dentro de nós. Nem sempre é simples. Muitas vezes, conseguimos ser compreensivos, pacientes e curiosos com os outros, mas temos dificuldade em fazer o mesmo connosco.
É comum ignorarmos sinais internos: emoções que evitamos, pensamentos que adiamos, conflitos que preferimos não olhar. Mas aquilo que não é escutado em nós acaba, mais cedo ou mais tarde, por se manifestar — na forma como reagimos, nas relações, nas decisões que tomamos.
Mesmo quem está habituado a cuidar dos outros não está imune a isto. Ter consciência do que se passa internamente é um processo contínuo, não um ponto de chegada.
Quando nos afastamos de nós próprios, é fácil entrar em piloto automático — cumprir tarefas, responder a exigências, manter tudo a funcionar. Mas, por dentro, pode surgir cansaço, frustração, insegurança ou desmotivação.
Reservar tempo para si não é um luxo. É uma necessidade.
É nesse espaço que se torna possível escutar o que está presente, compreender melhor as diferentes partes de si e começar a relacionar-se consigo de uma forma mais consciente e integrada. A partir daí, as mudanças deixam de ser apenas reativas e passam a ser mais alinhadas com aquilo que realmente importa.
Cuidar de si não é afastar-se da vida.
É aproximar-se dela com mais clareza, presença e harmonia interna.
Reinaldo Diniz